sábado, 17 de março de 2012

Deixei de colocar formas nas palavras.


Deixei de colocar formas nas palavras. Passei a escrever-lhes as formas. Cada palavra é uma vida, assim com a saudade é a partida. Sei que é um ser amado, mas por vezes não é conquistado. Já não consigo viver sem formas nas palavras, já não consigo estar alegre com o olhar delas. Consigo ver a sua força na luta de cada dia, mas por mais que eu seja valente a força se desvia. Como se desvia a maré com medo que a alma se apodere daquele lugar sem ledo. Viro as costas e as formas vão ganhando força, mas se procuro dentro de mim é como a desventura, que o coração larga como forma de saudade. Para quê inventar forma se as palavras são fracas no eterno da saudade elas se desmontam. Como o íntimo se desmonta como força de ajuda de um alma que a fome de conquista apaga ao renascer do sol depois da morte escura. As palavras não se fazem, escrevem-se. Elas não se amam, creem-se. Elas vivem, não tentam viver, mas na noite elas simplesmente tentam amar, algo perdido por um coração morto. Basta de forças e de palavras que querem viver. Elas não podem querer viver, mas sim querer ser lidas, por olhos que vêm o que o coração nunca quer ver, porque a maravilha está escondida ao sabor dos olhos. Os olhos são o sabor do conjunto de palavras que o intimo forma para a luta da verdade que sai pelas entranhas da verdade que ofuscada tenta brilhar na luz da madrugada. O tic tac ouvido por elas é diferente do que eu ouço pelo íntimo. Ele é mentiroso e insensível, escrupuloso e orgulhoso, mas é lutador. Navego num mar de ilusões onde as palavras se tornam trovões de um som a conquistas pelas palavras do oceano. Quero formar novas e grandes palavras com a ajuda do íntimo, elas deixam de ter formas e passam a ser simplesmente palavras amadas por um coração forte e amado. Quero dizer-lhes toda a verdade que nem sempre foram palavras, mas sim formas mortas pela escuridão perdida ao sabor da madrugada. E o som agora? Vai morrer? Não vai permanecer nas entranhas de cada palavra, para que depois seja tirado e amado e ouvido, como se ouve as palavras em pelo renascimento depois de uma morte literária. Assim fala o íntimo…

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