quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Grades...

Porquê? Estou num lado que nem sei se é de fora ou de dentro. Tenho o coração partido. A consistência com que vejo rosto é grande, mas do meu próprio rosto caem as lágrimas de quem deveras é ouvido. O meu rosto é agora o lado da tristeza, nele mergulham os sentimentos, que afogados, nunca mais retornam a superfície. Tenho grades, não sei bem se eu sou as grades ou se elas é que são eu. Tento tocar no rosto de alguém que e devagar se aproxima, mas sem sucesso. As palmas da minha mão estão secas, secas de agarrar fortemente aquelas grades que se infiltram no meu corpo. Já não tenho corpo, nunca o tive senão em sonhos acordados. Sou um barra de grade, sem amor, sem felicidade, sou apenas uma barra. Tento ser forte porque as minhas mãos estão fracas, assim como, o meu coração está. Estas grades que depressa penetram em mim, são o folgo de algo que está sempre em mim. Mas porquê? Nunca sei o porque de estar ali, nunca sei se estou de fora ou de dentro, nunca sei porque não consigo tocar em alguém e nunca sei se sou as grades, sou algo, sem definição alguma. Penso que seja mais uma peça a estorvar o caminho de outrem que por ali tenta passar, sou um pedaço de papel que todos espezinham e nem liga. Por vezes, sinto que sou a mensagem que as grades têm e que ninguém lhe dá algum significado, mas afinal o que sou eu? Sou as grades. Sou aquelas grades que impedem o amor de entrar, que impedem a verdade de sair, que impedem a felicidade de entrar, mas sobretudo, sou as grades que prendem a alma. A minha alma é apenas algo que sem definição está preso aquelas grades, que insignificantes ali ficam presas. Eu sou algo insignificante que todos ignoram, apenas sirvo de segurança e de apoio, afinal não sou nada. Como a minha alma é nada assim o meu corpo também o é! Sempre achei e acho que não passo de grades que meras, servem de apoio a algo, que meras disputam a liberdade e que meras sentem tudo que há a sentir. Revejo imagens nunca vividas e sentimentos nunca sentido, sinto o coração a parar e a alma a sair. Para que serve ser algo que não se é? Nada. O mesmo acontece comigo, eu sou as grades de algo, que tenta constantemente tornar-se algo, nunca recorro a força, mas chega a uma certa parte desta história em que há uma morte, essa morte chega agora, está morte não é mais que uma desistência, de quem se sente nada, porque afinal sou umas barras, a quem chamam de grades, sou as grades e sou alguém que nada sente, sou esquecido no horizonte longe, que depressa de apaga e morre... Sou o nada e vivo no nada! Não sou ninguém... Sou as grades...

Sem comentários:

Enviar um comentário

Deixa os teus comentários, para eu os ler e responder...