domingo, 26 de fevereiro de 2012

Os Olhos Falam...


Estou em frente a um vidro que consegue pelo seu carisma fraco ser baixo. Não tenho pena, simplesmente não sinto nada em relação a isso! Percorri memórias, estradas e caminhos que pelo seu interior querem ser vistos pela alma de um pobre pedinte. Olhei para o espelho e não vi senão lágrimas, que foram perdidas pelas saudades de algo nunca conquistado. Os meus olhos são as perolas que alguém as encontrou, mas depressa as deixou fugir. Será que alguma vez as tentou conquistar? Deveras. Sempre atingi um objetivo, e como posso ficar feliz? Está alma não se contenta com isso, é um circulo sem vida e sem vida morrerá, mas porque é que esse alguém continua no meu caminho? Não sei que dizer mais, mas sempre que olho para o espelho, os meus olhos falam tristeza e escrevem tristeza no espelho do luar, que naquela noite partiu em busca de algo, que nunca conseguirá! Porque me sinto cego, ou talvez inexistente. Os meus olhos já caminharam muito e já viveram muito, mas a verdade é que ninguém ainda os fez viver por isso é que eu nunca olhei para futuro como sendo um lugar em que irei viver e ser vivido. Sinto que não consigo ser nada e nunca poderei ser nada, sinto que sou mais um entrave no mundo do que o mundo é um entrave para alguém. Ouço ao longe um piano a tocar e tocam tão suavemente que as minhas lágrimas deixadas pelos olhos conseguem embaciar o espelho... Serão quentes? Ou simplesmente especiais? Não sei porque escrevo com lagrimas de alguém que quer ser ouvido, se a voz destas palavras encontram-se na alma, que é minha, e que está presa no ventre da saudade? São perguntas sem resposta, mas também respostas sem perguntas, a verdade da alma é que ela é um ser normal e fantástico, enquanto a saudade e a tristeza não passam de meras linhas que me ofuscam a alma e os olhos. O som do piano suavemente desaparece, mas a saudade ferozmente cresce e a tristeza rapidamente se alastra pelo meu pequeno corpo, que aquele pequeno espelho transmite, mas e agora corpo, que dizem os teus olhos? Nada, os meus olhos só dizem tristeza e saudade de algo que foi vivido intensamente e que agora ninguém o consegue viver. Quero desaparecer e procurar novos mundos onde os meus olhos possam dizer algo, algo com verdade e carisma, já que aqui, eles não dizem nem ninguém diz nada deles... Assim fala a alma dos seus olhos...

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