sábado, 19 de maio de 2012

Estrangeiro...


Haja o que houver haverá sempre um emigrante atrás deste terno olhar. A virtude deste emigrante reside na vontade de sair deste palco que se encontra atrás destas pálpebras da minha fronte. A minha fronte é um espetáculo de teatro que este emigrante deixou, não basta o olhar, mas a vontade de olhar, com o sol a bater na palma desta mão em pleno inverno, este emigrante parte para trás de um palco cujos forros não têm fim. Os músicos que se encontram neste palco são músicos clássicos que pela vontade de tocar, cederam os instrumentos e deram lugar a virtude da sua voz, que pelo desgosto da madrugada perdida torna-se fraca e pouco melancólica. As vozes encarceradas pela falta de espectadores levaram a que o ator proclama-se os versos de uma obra tão épica como o seu nome, mas como ninguém o ouviu, tornou-se eterna e sempre se falará desse ator, que sossegado numa plena tarde a escreveu. Depois de a pena secar, este emigrante partiu com a mala as costas numa estrada em plena noite de lua cheia. Os seus sonhos como um ser amando, já se tinham apagado, porque na vida dele, não havia lugar para ser amado, por se considerar um estrangeiro. Quem era estrangeiro era esse que escreve letras que nem  seu entendimento intende. Foram letras que formaram poemas e foram poemas que formaram pessoas. As letras que este estrangeiro, que vive no palco atrás destas pálpebras, são letras tristes e amarguradas e cheias de desejos. Já não existem só frases a descrever este estrangeiro, mas sim formas de texto a elaborar a vida deste estrangeiro. Na sua fronte não há lugar para pingas de sal que em forma de água caem dos seus olhos, na sua fronte visa o sorriso, como forma de orgulho fraternal. Agora e após a composição de letras que saem do coração e frases que brotam amor, este estrangeiro encerra o seu olhar como forma de largar a sua felicidade de viver como alguém que tem como apoio estas palavras. Por fim, estas palavras que estão neste harmonioso texto são o reflexo do espelho da minha alma, que na saudade de um bem perdido escreveu, mas agora já não há mais forma de mostrar esta virtude de ser um estrangeiro em pleno palco, que são os seus textos...

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